Gaúcho – Iconografia

Gaúcho-Iconografia

Costumes do gaúcho brasileiro, argentino e uruguaio através de imagens e esculturas, desde 1790.

Lá por 1586, em plena conquista do solo americano pelos europeus, escreveu o sábio francês michel de montaigne: ” Nas negociações que conosco travaram, provara os indígenas do Novo mundo que não são inferiores em clarevidência e perspicácia. Qaunto à devoção, lealdade, generosidade, franqueza, muito nos valeu não lhes sermos comparáveis, pois tais qualidades os perderam e destruiram. Sua derrota explica-se em grande parte pelo espanto em que caíram ao ver homens que chegavam em grandes mosntros desconhecidos de quem nunca vira um cavalo”
(Ensaios, vol II, cap. VI).
Mais que o arcabuz e a escopeta – que se transformavam em inútil pedaço de pau ao acabar as munições – foi o cavalo o elemento que assegurou a assegurou a superioridade do europeu no confronto inicial. Por isso o Rei não se cansava de alertar seus súditos, através do Conselho das Íindias, quanto ao perigo que representaria para a coroa o dmínio do cavalo pelos selvagens.
Mas aí houve a descoberta da prata em Potosí e os espanhóis necessitaram de cavalos e mulas. No árido altiplano não havia pastaagens onde tais animais pudesses ser criados. Encontraram-nas ao sul, nas planuras às margensdos rios Paraná e Uruguai. Então o índio teve de ser chamado, para se transformar em peão de estância e tropeiro.
Num passo seguinte os jesuítas se propuseram a fundar Missões às margens desses rios, e a licença só lhes foi autorizada mediante uma clausula que proibia os índios cristianizados o porte de armas de fogo e, salvo em triviais serviços pastorís, o uso do cavalo. Mas pouco depois ocorria a investida dos mamelucos paulistase, para se defenderem, os jesuítas obtiveram a revogação do interdito. Agora a cavalo e armados, puderam os guaranís fazer frente inclusive aos vizinhos guenoas, charruas, minuanos, que sem dar satisfação a Rei nenhum já haviam se tornado exímios cavaleiros.
Num seguinte passo, houve a descoberta do ouro nas Minas Gerais e os lusitanos necessitaram de cavalos e mulas. Ricas pastagens só havia no sul. E o índio foi novamente chamado, para se transformar em peão de estância e tropeiro.
No vaivém das tropas até Tucumã e Salta, ao noroestet, e até Itapeva e Sorocaba, ao nordeste, formou-se como que a figura geométrica de uma parábola, ou letra U, tendo a base desse U assentada nas planícies de um e outro lado do rio uruguai. Daí se expandiu a cultura campeira do Cone Sul. Já em 1820 salientava Saint-Hilaire: “Se dexarem os habitantes do Rio Grande entrar em contato como os índios, e se negligenciarem a educação moral e religiosa deles, em breve não passarão de gaúchos”. É que, na transfusão cultural, o europeu tinha entrado com a agilidade do cavalo e, o índio, com a cordialidade do chimarrão, daí surgindo um tipo humano que não era mais o cavalo de Andaluzia nem o campino de Alentejo. Juntamente com o rito do chimarrão, os brancos haviam assimilado, em menor ou maior dose, aquelas qualidades apontadas por Montaigne: devoção, lealdade, bondade, generosidade. Nosso mestre Simões Lopes neto, ao registrar o mito da Salamanca do jarau, rsumiu tudo isso em dois dons: alma forte e coração sereno.
Hoje você vai conhecer tda a pujança visual do gaúcho através desse imenso panorama iconográfico. Veja bem as suas roupas, seus instrumentos de trabalho, seu modo de viver cotidiano. Mas tente observar, principlamente, aquilo tão difícil de expressar em iconografia mas que pode ser adivinhado na força do olhar, na postura do corpo, no jeitão e paciência. E aí você descubrirá qu também Véra Stedile Zattera é uma autêntica gaúcha.
Pois só mesmo com profunda combinação de alma forte e coração sereno pode alguém enfrentar, e vancer, como ela o faz, o desafio de raesumir num só volume toda a beleza da cultura campeira do Brasi le do nosso Cone Sul.
Luiz Carlos Barbosa Lessa
Camaquã, julho de 1995

Conteúdo

Apresentações
O Gaúcho Brasileiro
O Gaúcho Uruguaio
O Gaúcho Argentino
Prefácio
O Ginete Errante dos Pampas da América
Conceitos
Traços Fisionômicos
Outros Documentos
Gaúcho
Mulher
Bandeirantes
Vacábulo
Crianças
Arreios
Tábua Cronológica de Artistas, Viajantes e Estudiosos
Tábua Cronológica Histórica do Rio Grande do Sul
Textos de Estudiosos
DEL CARRIL, Bonifácio – Desaparición del Gaucho
ASSUNÇÃO, Fernando O. – Transfiguración y Muerte del Gaucho
FAGUNDES, Antonio A. – E o Gaúcho Morreu ?
Cédula de Cinco Mil Cruzeiros-Reais do Banco do Brasil
Lei 8.133 – Traje de Honra do Gaúcho
Bibliografia
Brasil
Argentina
Paraguai, Urugaui e Vídeos
Créditos

APOIO CULTURAL:

Apoio cultural da Primeira Edição: Randon Participações – 1995. 

APRESENTAÇÃO:

Apresentação:Brasil: Luiz Carlos Barbosa Lessa -  Uruguay: Fernando Assunção Argentina: Julián Cáceres Freyre

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