Trajes do Imigrante Italiano

Trajes do Imigrante Italiano no Rio Grande do Sul

Indumentária do italiano emigrante e de seus descendentes no Rio Grande do Sul.

Apresentação: Diretore Del Museo San Michele d’Ádige.
Tive o prazer de conhecer Véra Stedile Zattera, autora desta obra. Docente da universidade de Caxias do Sul, Brasil e de origens trentinas (os seus antepassados emigraram para o Brasil em 1876), ela se propôs fazer uma pesquisa difícil, retrocedendo no tampo e no espaço. Nascida no estado do Rio Grande do Sul, ela voltou à Europa, às regiões do Norte da Itália, para procurar indícios de nossa antiga emigração italiana na segunda metade do séc. XIX. Coletou dados e notas para completar seu projeto de pesquisa: o vestuário e o traje tradicional popular, com suas antigas técnicas de tecelagem de lã, do cânhamo e do linho, patrimônio do nosso antigo mundo rural. Estudou as raízes sim, mas também desejou daber tudo sobre nossa cultura, para afazer reviver e conservar os nossos antigos trabalhos manuais em esforços que esta terra avarenta havia, involuntariamente, esquecido.
A viagem de Véra Stedile Zattera foi como um mergulho no passado. Ela redescobriu uma terra nova, com velhas cicatrizes sanadas pelo tempo e pela operosidade de sua gente, viu rostos parecidos, notou as diferenças de um dialeto do lugar que, pelo ocaso às formas artesanais e por falsos pudores, foi diluindo-se e caindo em desuso.
O seu trajeto a levou às raízes da emigrações transoceânicas italianas quando a magia do nome América evocava a desesperada fome por terra, mais que dinheiro, América também significava para muitas pessoas, que nunca haviam visto o mar, longas e sofridas viagens, tempestades no meio do Atlântico uma imensa terra onde tudo era imenso, exagerado. Significava também problemas de linguagem, de costumes e a necessidade de manter a própria identidade para não perder, no dia-a-dia, a própria personalidade.

A veste diária e os trajes tradicionais representam, no entanto, a parte principal da obra de Véra Stedile Zattera. Ambos podem ser interpretados e vistos de maneira diferentes: como patrimônio de uma população e como elemento de diferenciação com relação a outras regiões. Mas, independentemente disso, são as cores, os tecidos e as técnicas usadas na fabricação que constituem o patrimônio único e indivisível de uma comunidade. Daí a justificativa da autora em deter-se longamente sobre a cultura do linho, o uso da lã, as fibras têxteis, momento particular de uma modo de vida e renda familiar das gerações passadas e hoje apenas momento de memória histórica.

Penetrando no cerne da questão a autora demora-se com evidente amor sobre os trajes de ontem dos trentinos e das outras regiões do norte da Itália, colocando em destaque as particularidades e diferenças destas, a sua continuidade no tempo e sua lenta decadência sob a influência de um modernismo anônimo que tem arrancado velhos hábitos e transformado leis de comportamento.
É aqui que sua pesquisa tornou-se mais profunda; o emigrante italiano é seguido no seu trajeto, na sua inserção ao seu novo país, no contato com sua nova comunidade, com o Rio Grande do Sul. O discurso não é diferente com relação às influências da moda proveniente dos vários estados europeus que, vistosamente, condicionaram o modo de vestir daquelas épocas. E nem podia ser diferente.
O trabalho da pesquisadora se encerra com estudos sobre a arte de vestir e da tecelagem popular na Itália e no estado do Rio Grande do Sul. Ela representa não somente uma conclusão mas dá continuidade à pesquisa ligando o velho ao novo, o antigo ao moderno, o emigrante de ontem ao elementos de outrora e recentes da cultura e tradição ítalo-brasileiras. É uma fusão entre vários elementos a uma sempre crescente compreensão entre os vários grupos familiares de mesma origem histórica e geográfica.
Aqui estão, portanto, os méritos de Véra Stedile Zattera, ser orgulhosa de suas origens, dedicar o seu tempo a estudos particularmente difíceis, os quais, às vezes, requerem o sacrifício do espaço devido aos afetos familiares mas, por outro lado, oferece a possibilidade de construir uma história de homens e mulheres valentes e não apenas temáticas áridas baseadas em eventos históricos ou militares.
O sucesso do livro é certo. Mas que a autora tenha depois e sempre, a sua própria satisfação interior de tê-lo feito. Este é o meu desejo.
Umberto Raffaelli
Trento, maio 1991

Índice

Apresentação
Introdução
América – o sonho de liberdade
Vestuário do norte da Itália – 1850/1990
Trajes tradicionais da Itália
Trentino Alto Ádige
Friuli Venezia Giulia
Piemonte, Val D’Aosta e Lago di Garda
Vêneto e outras regiões
Colono Italiano – o senhor da nova terra
Vestuário no Rio Grande do Sul – 1850/1990
Trajes dos Imigrantes italianos e descendentes – 1875/1990
Depoimentos
Amábile Zanandrea Stedile
Amadeu Zanandrea
Valério Zattera
Francisco Dal Pós
Pesquisas italianas e brasileiras
Bibliografia
Créditos

APOIO CULTURAL:

Frasle S/A - Prefeitura de Caxias do Sul - 1991..