Traje Típico Gaúcho

Traje Típico Gaúcho

Pesquisa sobre Pilchas Gaúchas

Antonio Augusto Fagundes
É surpreendentemente escassa a bibliografia existente no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina sobre a indumentária do gaúcho. Esse tipo humano, o mais característico do conesul da América, mereceu destaque na literatura dos três países com poemas e romances imortais. Bastaria citar Martín Fierro, do argentino José Hernández e o Antônio Chimango, de Amaro juvenal, o brasileiríssimo Ramiro Barcelos, na poesia. E que épico melhor que a trilogia O Tempo e o Vento, do internacionalíssimo (e tão nosso) Érico Veríssimo?
O folclore do gaúcho, em seus muitos aspectos, também foi abordaddo com largueza. Na Argentina, Moya, Collucio, Vega, Cortazar e seus discípulos da atualidade. No Uruguai, Ayestarán e Pereda Valdéz, igualmente. No rio grande do Sul, Carlos Galvão Krebs, Dante de Laytano, Walter Spalding, Ênio Freitas e Castro, Paixão Côrtes, Barbosa lessa… precisa mais?
Mas quase nada se falou da indumentária gauchesca: algumas pesquisas da Argentina Maria Delia Millan de Palavecino e a obra do uruguaio Fernando Assunção – e nós? Também temos pouco: um excelente artigo de Athos Damasceno, alguma pesquisa bibliográfica e inédita de Isolde Helena Brans, bem como as de Luiz Celso Hyarup, as pesquisas de paixão Cortes, entreveradas com outras, em seus livros que tratam que tratam de vários temas do folclore gaúcho e o meu próprio trabalho a respeito.
Para se estudar um grupo social, para ase intimar um homem, é imprescindível pesquisar a sua maneira de vestir. A indumentária fala do clima, especificando até estações do ano, tão bem diferenciadas no Rio Grande do Sul. Mas nos fala também da atividade do homem que a usa, de sua economia, enfim. Diz de sua cultura, de mundo exterior, de sua herança cultural. O homem nu não existe, nem nunca existiu. A cultura tratou sempre de “vesti-lo” mesmo que fosse apenas com a pintura ritual e a plumagem dos pássaros no calor dos trópicos.
É por isso que este livro é importante. E sua autora também. Véra Stedile Zattera é professora universitária, altamente qualificada que , a partir da Técnicas Industriais  – disciplina que ocupa na Universidade de Caxias do Sul – chegou à tecelagem folclórica dos teares verticais ou de pedal, tradição e orgulho das humildes penélopes dos ranchos campeiros do Rio Grande do Sul. Publicou com repercusão nacional o livro Arte Têxtil no Rio Grande do Sul. Daí à indumentária gaúcha foi apenas um pequeno passo.
Chegou à conclusão de que existem épocas fundamentais para a história da indumentária gaúcha e analisa o momento atual, onde surpreende até mesmo um gaúcho usando bombachas e… chinelos-de-dedo! Nos rastro da melhores escolas antropológicas, vê o todo, o grupo social e suas inter-relações. Ou seja, não vê a indumentária como individual, mas como fenômeno e patrimônio social.
Gosto de pensar que outras pesquisas importantes esperam por Véra Stedile Zattera.
Oxalá não tardem.
Porto Alegre, 21 de dezembro de 1988.

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